A doença de Parkinson é uma doença neurológica progressiva que afeta principalmente o controle dos movimentos do corpo.
Ela é uma das doenças neurodegenerativas mais comuns no mundo. Estima-se que cerca de 1% das pessoas acima de 60 anos apresentem a doença.
De acordo com estimativas globais, existem atualmente mais de 10 milhões de pessoas vivendo com Parkinson no mundo, incluindo aproximadamente 200 a 250 mil brasileiros.
Neste artigo você vai entender:
o que é a doença de Parkinson
quais são seus sintomas
como é feito o diagnóstico
quais são os tratamentos disponíveis
A doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo progressivo que afeta áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos.
O principal problema ocorre na substância negra, uma região do cérebro onde existem neurônios que produzem dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle motor.
Essa destruição ocorre na substância negra do cérebro, como mostra a imagem:

Fonte: criasaude
Com a degeneração dessas células, ocorre uma diminuição da dopamina no cérebro, levando ao aparecimento dos sintomas característicos da doença.
A doença foi descrita pela primeira vez em 1817 pelo médico britânico James Parkinson, em um trabalho intitulado:
“An Essay on the Shaking Palsy” (Um ensaio sobre a paralisia agitante).
Nesse estudo, Parkinson descreveu os sintomas observados em pacientes com tremor, lentidão dos movimentos e alterações da postura.
Desde então, a doença passou a ser reconhecida como um importante distúrbio neurológico.
Na maioria dos casos, a causa exata da doença de Parkinson ainda não é conhecida.
Por isso, ela é considerada uma doença idiopática, ou seja, sem causa claramente definida.
No entanto, acredita-se que vários fatores possam contribuir para o desenvolvimento da doença, como:
predisposição genética
envelhecimento
fatores ambientais
exposição a toxinas

Os sintomas do Parkinson podem ser divididos em sintomas motores e não motores.
Os principais sintomas motores incluem:
tremor de repouso
lentidão dos movimentos (bradicinesia)
rigidez muscular
instabilidade postural
dificuldade para iniciar movimentos
alteração da marcha
redução da expressão facial (hipomimia)
Esses sintomas costumam aparecer de forma progressiva.
Além das alterações motoras, a doença também pode causar sintomas não motores, como:
depressão
ansiedade
distúrbios do sono
constipação intestinal
perda do olfato
alterações urinárias
fadiga
dificuldade de concentração
Em alguns pacientes também podem ocorrer alterações cognitivas com a progressão da doença.
Alguns sintomas podem surgir anos antes das alterações motoras clássicas.
Entre os sinais precoces mais comuns estão:
perda do olfato
constipação intestinal
distúrbio do sono REM
depressão
ansiedade
Esses sintomas isoladamente não confirmam a doença, mas podem indicar risco aumentado.
O diagnóstico da doença de Parkinson é clínico, baseado na avaliação médica e na presença de sinais característicos.
Durante a consulta, o neurologista avalia:
os sintomas do paciente
o exame neurológico
a evolução da doença
Exames de imagem podem ser solicitados em alguns casos para ajudar no diagnóstico diferencial, como:
ressonância magnética
PET scan
SPECT dopaminérgico (DaTscan)

Os idosos são os principais pacientes da doença de Parkinson, por isso, é importante não deixar de realizar o acompanhamento médico.
Atualmente, não existe cura para a doença de Parkinson.
O tratamento é voltado para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
O principal medicamento utilizado é a levodopa (L-DOPA), que ajuda a repor a dopamina no cérebro.
Outras classes de medicamentos incluem:
agonistas dopaminérgicos
inibidores da MAO-B
inibidores da COMT
amantadina
Em alguns casos, pode ser indicado o tratamento cirúrgico chamado estimulação cerebral profunda (Deep Brain Stimulation – DBS).
Nesse procedimento são implantados eletrodos em áreas específicas do cérebro para modular os circuitos responsáveis pelos sintomas motores.
Esse tratamento costuma ser indicado para pacientes com sintomas motores avançados ou flutuações motoras importantes.
Para saber mais sobre a cirurgia para a doença de Parkinson, confira esse vídeo:
A doença de Parkinson é progressiva e pode levar a diferentes graus de limitação funcional ao longo do tempo.
Entre as possíveis complicações estão:
dificuldade de locomoção
alterações cognitivas
distúrbios do sono
maior risco de quedas
Com acompanhamento médico adequado, muitos pacientes conseguem manter boa qualidade de vida por muitos anos.
Os primeiros sintomas da doença de Parkinson podem surgir anos antes das alterações motoras mais conhecidas.
Entre os sinais iniciais mais comuns estão:
perda do olfato
constipação intestinal
distúrbios do sono
depressão ou ansiedade
lentidão para realizar movimentos
Com a progressão da doença, podem surgir sintomas motores mais típicos, como tremor, rigidez e dificuldade para caminhar.
O sintoma mais característico da doença de Parkinson é o tremor de repouso, que costuma ocorrer principalmente nas mãos.
No entanto, os três sinais motores clássicos da doença são:
tremor de repouso
lentidão dos movimentos (bradicinesia)
rigidez muscular
Esses sintomas podem evoluir gradualmente ao longo dos anos.
Atualmente, não existe cura para a doença de Parkinson.
No entanto, existem tratamentos eficazes que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Entre eles estão medicamentos, fisioterapia e, em alguns casos, cirurgia.
A maioria dos pacientes com doença de Parkinson possui expectativa de vida próxima à população geral, especialmente quando recebe tratamento adequado.
O acompanhamento médico regular e a reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional são importantes para manter a qualidade de vida.
O diagnóstico da doença de Parkinson é realizado principalmente através da avaliação clínica feita por um neurologista.
O médico analisa:
os sintomas apresentados
o exame neurológico
a evolução da doença ao longo do tempo
Exames de imagem podem ser utilizados em alguns casos para auxiliar no diagnóstico ou excluir outras doenças.
Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolver a doença de Parkinson, como:
idade avançada
histórico familiar da doença
exposição a certos pesticidas ou toxinas
sexo masculino (ligeiramente mais frequente)
Apesar disso, muitas pessoas desenvolvem a doença sem apresentar fatores de risco claros.
Nos estágios iniciais da doença, a memória geralmente está preservada.
No entanto, em fases mais avançadas alguns pacientes podem desenvolver alterações cognitivas ou demência associada ao Parkinson.
Sim. Em alguns pacientes, quando os sintomas não são controlados adequadamente com medicamentos, pode ser indicada a estimulação cerebral profunda (Deep Brain Stimulation – DBS).
Esse procedimento cirúrgico pode ajudar a reduzir tremores, rigidez e outros sintomas motores.
Sim.
A prática regular de exercícios físicos pode ajudar a melhorar:
equilíbrio
mobilidade
força muscular
qualidade de vida
Atividades como caminhada, fisioterapia, hidroginástica e exercícios de coordenação são frequentemente recomendadas.
Texto atualizado por Dr Thiago Rodrigues, neurocirurgião, PhD, em 10/03/2026