A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas. Embora não tenha cura definitiva, o tratamento adequado pode controlar a inflamação, reduzir os sintomas e prevenir complicações ao longo do tempo.
A doença costuma surgir em adultos jovens, geralmente antes dos 40 anos, e é mais frequente em homens. Além disso, existe uma forte associação genética, especialmente com o gene HLA-B27.
A seguir, entenda melhor o que é a espondilite anquilosante, quais são seus principais sintomas e como é feito o diagnóstico e tratamento.
Boa leitura! 🙂
A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória autoimune que faz parte do grupo das espondiloartrites.
Ela provoca inflamação crônica principalmente nas:
articulações da coluna vertebral
articulações sacroilíacas
enteses (regiões onde tendões e ligamentos se inserem no osso)
Com o tempo, essa inflamação pode levar à formação de novo osso entre as vértebras, criando pontes ósseas chamadas sindesmófitos. Esse processo pode reduzir progressivamente a mobilidade da coluna e, em casos avançados, causar anquilose vertebral, ou seja, fusão das vértebras.
Como consequência, a coluna pode tornar-se rígida e assumir uma postura curvada para frente.
A causa exata da espondilite anquilosante ainda não é completamente conhecida.
No entanto, sabe-se que a doença envolve uma combinação de fatores genéticos e imunológicos. O sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, desencadeando inflamação nas articulações.
O gene HLA-B27 está presente em grande parte dos pacientes com espondilite anquilosante e aumenta significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver espondilite anquilosante:
sexo masculino
idade entre 20 e 40 anos
presença do gene HLA-B27
histórico familiar da doença
outras doenças inflamatórias associadas
A espondilite anquilosante faz parte de um grupo maior de doenças chamadas espondiloartrites. Entre elas estão:
É a forma mais conhecida. Afeta principalmente as articulações da coluna vertebral e as sacroilíacas, podendo levar à fusão progressiva das vértebras.
Associada à psoríase. Além das lesões de pele, provoca inflamação nas articulações, incluindo a coluna.
Surge após infecções gastrointestinais ou urinárias. Pode causar inflamação articular, ocular e urogenital.
Relacionada a doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.
Casos em que existem sintomas de espondiloartrite, mas sem critérios suficientes para classificar um subtipo específico.
Cada tipo de espondilite tem suas próprias características distintas, mas todos compartilham a característica comum de inflamação nas articulações, especialmente na coluna vertebral. Somente o profissional indicado poderá diagnosticar e tratar adequadamente.
Os sintomas podem variar bastante entre os pacientes, mas alguns sinais são característicos da doença.
Entre os mais comuns estão:
Dor lombar crônica (mais de 3 meses)
Dor que piora com repouso e melhora com atividade física
Rigidez matinal na coluna
Dor nas articulações sacroilíacas
Diminuição da mobilidade da coluna
Redução da expansão torácica
Dor nos glúteos
Dor no peito ao respirar profundamente
Inflamação nos olhos (uveíte)
Dor nos calcanhares (entesite)
Fadiga persistente
Rigidez ou postura curvada da coluna
Dor nos ombros ou quadris
Inflamação em outras articulações
Perda de apetite
Perda de peso
Um aspecto característico da dor inflamatória é que ela costuma ser mais intensa pela manhã ou após longos períodos de repouso, melhorando com movimento.
A espondilite anquilosante costuma começar de forma lenta e muitas vezes passa despercebida nos primeiros anos.
Os sintomas iniciais mais comuns incluem:
dor lombar persistente em adultos jovens
rigidez na coluna pela manhã
dor que melhora com movimento e piora com repouso
dor alternante nos glúteos
fadiga sem causa aparente
Em muitos casos, os sintomas começam antes dos 30 anos e podem levar anos até que o diagnóstico correto seja feito.
Por esse motivo, qualquer dor lombar persistente em adultos jovens deve ser investigada por um especialista.
Nos estágios iniciais, muitas pessoas apresentam apenas dor lombar e rigidez.
Nos casos mais avançados, pode ocorrer:
rigidez significativa da coluna
postura curvada para frente (cifose)
limitação da mobilidade do tronco
dificuldade para expandir o tórax durante a respiração
Essas alterações ocorrem principalmente quando a doença permanece ativa por muitos anos sem tratamento adequado.
Veja na imagem abaixo:

Reprodução com alterações para este site.
Você provavelmente notou que os sintomas listados são vários e muitos deles estão presentes em outras doenças de coluna, assim, espondilite é facilmente confundida com quadros como:
Por isso, a avaliação médica especializada é essencial para o diagnóstico correto.
Na maioria dos casos, a espondilite anquilosante não reduz significativamente a expectativa de vida, especialmente quando diagnosticada e tratada precocemente.
Com o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem levar uma vida ativa e manter boa qualidade de vida.
No entanto, casos mais graves e não tratados podem levar a complicações como:
deformidades da coluna
fraturas vertebrais
inflamações oculares recorrentes
maior risco cardiovascular
Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental para controlar a doença e evitar complicações.
Em casos avançados e sem tratamento adequado, a espondilite anquilosante pode levar a limitações importantes da mobilidade da coluna.
Quando ocorre fusão das vértebras, a coluna torna-se rígida, dificultando movimentos simples como inclinar o tronco ou olhar para os lados.
No entanto, com os tratamentos atuais — especialmente medicamentos biológicos e programas de fisioterapia — muitos pacientes conseguem controlar a inflamação e manter uma vida ativa.
O diagnóstico precoce é o principal fator que reduz o risco de incapacidade.
O diagnóstico envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem.
Os exames mais utilizados incluem:
radiografia da coluna e das articulações sacroilíacas
ressonância magnética
exames de sangue para marcadores inflamatórios
teste genético para HLA-B27
A ressonância magnética é particularmente útil para detectar inflamação precoce nas articulações sacroilíacas, antes mesmo de alterações visíveis na radiografia.

Os tratamentos devem ser seguidos mesmo após os sintomas desaparecem
O tratamento tem como objetivo:
controlar a inflamação
aliviar a dor
preservar a mobilidade da coluna
prevenir deformidades e complicações
Entre as principais opções estão:
Medicamentos
anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
imunossupressores
medicamentos biológicos (anti-TNF ou anti-IL-17)
Reabilitação
fisioterapia
exercícios de alongamento
fortalecimento muscular
exercícios respiratórios
Procedimentos e cirurgia
Em casos específicos podem ser necessários:
infiltrações articulares
cirurgias corretivas da coluna
artroplastia do quadril
Quanto antes iniciado o tratamento, mais eficaz será!
Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir e causar complicações como:
rigidez permanente da coluna
deformidades posturais
fraturas vertebrais
inflamações oculares recorrentes
comprometimento cardiovascular ou pulmonar
Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para controlar a progressão da doença.
A espondilite anquilosante não tem cura definitiva. No entanto, existem tratamentos eficazes capazes de controlar a inflamação, aliviar a dor e reduzir a progressão da doença. Com acompanhamento médico adequado, muitos pacientes conseguem manter boa qualidade de vida e continuar realizando suas atividades normalmente.
A gravidade da espondilite anquilosante varia de pessoa para pessoa. Em alguns pacientes, os sintomas são leves e bem controlados com tratamento. Em outros casos, a inflamação persistente pode levar à rigidez da coluna, deformidades e limitações de mobilidade. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações.
O diagnóstico e tratamento da espondilite anquilosante geralmente são realizados por um reumatologista, especialista em doenças inflamatórias das articulações. Em alguns casos, também podem participar do tratamento profissionais como fisioterapeutas, ortopedistas e especialistas em coluna.
Sim. Embora a dor mais típica seja na região lombar e nas articulações sacroilíacas, alguns pacientes podem apresentar dor irradiada para os glúteos ou membros inferiores. Isso ocorre devido à inflamação das articulações da pelve ou estruturas próximas da coluna.
Sim, e o exercício físico é uma parte fundamental do tratamento. Atividades como alongamentos, caminhada, natação e exercícios posturais ajudam a manter a mobilidade da coluna e reduzir a rigidez. Programas de fisioterapia também são frequentemente recomendados.
Sim. Uma das manifestações extra-articulares mais comuns da doença é a uveíte, uma inflamação ocular que pode causar dor, vermelhidão, sensibilidade à luz e visão borrada. Quando esses sintomas aparecem, é importante procurar avaliação médica rapidamente.
Não diretamente. A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória das articulações da coluna, enquanto a hérnia de disco é uma condição degenerativa dos discos intervertebrais. No entanto, ambas podem causar dor lombar, o que às vezes gera confusão no diagnóstico.
Na maioria dos casos, sim. Com tratamento adequado e controle da inflamação, muitos pacientes mantêm uma vida ativa e produtiva. Entretanto, em casos mais avançados, pode haver limitação de mobilidade que exige adaptações no trabalho ou nas atividades diárias.
Em geral, não. Quando diagnosticada e tratada corretamente, a maioria das pessoas com espondilite anquilosante apresenta expectativa de vida semelhante à da população geral. O acompanhamento médico é importante para controlar a inflamação e prevenir complicações.
Existe um componente genético importante. Muitas pessoas com espondilite anquilosante possuem o gene HLA-B27, que aumenta a predisposição para a doença. No entanto, ter esse gene não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá espondilite.
A suspeita de espondilite anquilosante geralmente surge quando a pessoa apresenta dor lombar crônica por mais de três meses, especialmente em adultos jovens. Essa dor costuma piorar com repouso e melhorar com atividade física, além de ser acompanhada de rigidez matinal na coluna.
O diagnóstico é confirmado com avaliação médica, exames de imagem — principalmente ressonância das articulações sacroilíacas — e exames laboratoriais, como o teste para o gene HLA-B27.
Sim. Nos estágios mais avançados da doença, a radiografia da coluna e das articulações sacroilíacas pode mostrar sinais característicos, como sacroileíte e formação de pontes ósseas entre as vértebras.
Nos estágios iniciais, a ressonância magnética é mais sensível, pois consegue detectar inflamação antes que ocorram alterações estruturais visíveis na radiografia.
A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória autoimune, enquanto a hérnia de disco é uma condição degenerativa que ocorre quando parte do disco intervertebral se projeta e comprime estruturas nervosas.
Embora ambas possam causar dor lombar, a dor da espondilite costuma melhorar com movimento e piorar com repouso, enquanto a dor da hérnia de disco geralmente piora com esforço ou determinadas posições.
Sim. Exercícios físicos são uma parte importante do tratamento. Atividades que fortalecem a musculatura da coluna e melhoram a postura ajudam a reduzir a rigidez e preservar a mobilidade.
Musculação, alongamentos e exercícios de fisioterapia podem ser recomendados, desde que realizados com orientação adequada para evitar sobrecarga nas articulações inflamadas.
Em alguns casos, principalmente quando a doença não é tratada, pode ocorrer fusão das vértebras, levando à rigidez progressiva da coluna. Isso pode resultar em uma postura curvada para frente, chamada de cifose.
No entanto, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, o risco de deformidades graves diminui significativamente.
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Texto atualizado por Dr Thiago Rodrigues, neurocirurgião, PhD, em 09/03/2026