A escafocefalia é o tipo mais frequente de craniossinostose, uma condição caracterizada pelo fechamento precoce de uma ou mais suturas do crânio do bebê.
Nesse quadro ocorre o fechamento prematuro da sutura sagital, levando a um formato característico da cabeça: mais alongado no sentido anteroposterior e mais estreito lateralmente.
A incidência estimada é de aproximadamente 1 caso para cada 2.000 a 5.000 nascimentos, sendo mais comum em meninos.
Embora muitas vezes cause principalmente uma alteração estética, em alguns casos pode estar associada a aumento da pressão intracraniana e alterações no desenvolvimento neurológico.
Neste artigo você vai entender:
o que é escafocefalia
quais são as causas
como é feito o diagnóstico
qual é o tratamento
A escafocefalia é uma forma de craniossinostose sagital, ou seja, ocorre quando a sutura sagital do crânio se fecha precocemente.
Veja suturas já fechadas:

Fonte: Anatomia Papel e caneta. Imagem com adaptação
As suturas cranianas são articulações fibrosas entre os ossos do crânio que permitem o crescimento do cérebro durante a infância.
Normalmente, essas suturas permanecem abertas durante os primeiros anos de vida, permitindo que o crânio se expanda conforme o cérebro cresce.
Confira abaixo uma imagem de um paciente com escafocefalia para maior compreensão:

Reprodução: www.craniofacial.ie/craniosynostosis/sagittal-scaphocephaly/
Quando a sutura sagital se fecha precocemente, o crescimento lateral do crânio fica limitado. Como compensação, ocorre crescimento exagerado no sentido anteroposterior, resultando em um crânio mais longo e estreito.
Há uma idade ideal de fechamento para cada tipo de sutura cerebral, veja quais são elas:
| Tipo de sutura | Tempo de fechamento |
| Fontanela Posterior | 3 a 6 meses |
| Sutura Metópica | até os 9 meses |
| Fontanela Anterior | 9 a 18 meses |
| Sutura Coronal | 2 anos até a idade adulta |
| Sutura Sagital | 2 anos até a idade adulta |
| Sutura Lambdóide | 2 anos até a idade adulta |
Agora que você já conhece os termos, a escafocefalia é o fechamento precoce da sutura sagital, portanto, deveria se fechar aos 2 anos. Este é o tipo mais frequente dentro as craniossinostose.
Na maioria dos casos, a escafocefalia não causa sintomas neurológicos graves, mas pode levar a deformidade craniana importante. Em alguns pacientes pode ocorrer aumento da pressão intracraniana ou alterações no desenvolvimento se não for tratada adequadamente.
Embora os termos sejam frequentemente confundidos, eles não são exatamente a mesma coisa.
causada por craniossinostose da sutura sagital
possui origem estrutural
geralmente necessita avaliação especializada
formato craniano alongado sem fechamento precoce das suturas
geralmente relacionado a fatores posicionais (por exemplo, prematuridade)
Essa distinção é importante porque apenas a escafocefalia verdadeira está associada à craniossinostose.
Na maioria dos casos, a escafocefalia ocorre de forma isolada e sem causa identificável.
Entretanto, alguns fatores podem estar associados ao seu desenvolvimento:
predisposição genética
restrição de espaço intrauterino
prematuridade
síndromes genéticas raras
Entre as síndromes associadas a craniossinostose estão:
síndrome de Crouzon
síndrome de Apert
síndrome de Pfeiffer
Contudo, a grande maioria dos casos de escafocefalia ocorre sem associação com síndromes.
O principal sinal é a alteração no formato da cabeça do bebê.
Entre as características mais comuns estão:
crânio alongado
estreitamento lateral da cabeça
proeminência da região frontal ou occipital
aumento do comprimento do crânio
Na maioria dos casos, os sintomas são principalmente estéticos.
Entretanto, em alguns pacientes podem ocorrer:
irritabilidade
atraso no desenvolvimento
Veja a imagem abaixo comparativo ao crânio saudável e ao crânio de um paciente com escafocefalia para entender os sintomas estéticos:

Fonte: Neuroped|RJ. Imagem com adaptações

A escafocefalia é uma doença pouco frenquentemente e requer muita agilidade no tratamento.
A escafocefalia pode ser diagnosticada logo no nascimento, quando o bebê já apresenta a alteração do formato da cabeça, no caso, mais longada, ou alguns meses após o nascimento. É bastante importante que os cuidadores realizem consultas frequentes a diversos médicos após nascimento do bebê, o neurologista é um deles.
O neurologista irá avaliar o quadro considerando o histórico; exames clínicos, como apalpar a cabeça do paciente, para sentir as suturas do crânio e realizar as medições do índice cefálico (idealmente, o bebê deve estar dentro de 76 a 80, menos que isso, pode indicar uma dolicocefalia).
Além dos exames clínicos, os exames de imagem podem ser bastante úteis, por isso, podem ser solicitados:
Exames de vistas também podem ser realizados, considerando que é uma consequência muito frequente à escafocefalia.
Há casos em que durante a gestação o profissional tenha hipóteses de que a escafocefalia seja uma possibilidade, considerando as dores sentidas pela gestante, exames, atividades e ações realizando durante a gravidez.
O tratamento da escafocefalia é principalmente cirúrgico.
A cirurgia tem dois objetivos principais:
corrigir a deformidade craniana
permitir crescimento normal do cérebro
Existem diferentes técnicas cirúrgicas, incluindo:
cirurgia aberta de remodelação craniana
cirurgia endoscópica minimamente invasiva
A escolha da técnica depende da idade do paciente e da experiência da equipe cirúrgica.
O tratamento costuma ser realizado nos primeiros meses de vida.
Em muitos centros especializados, a cirurgia endoscópica pode ser realizada entre 3 e 6 meses de idade.
Quando indicada, a correção precoce geralmente apresenta excelentes resultados estéticos e funcionais.
Quando tratada precocemente, a maioria das crianças apresenta desenvolvimento neurológico normal.
O acompanhamento após a cirurgia é importante para monitorar:
crescimento craniano
desenvolvimento neuropsicomotor
possíveis recidivas
Na maioria dos casos não é grave, mas deve ser avaliada por um especialista para determinar a necessidade de tratamento.
Em muitos casos, a cirurgia é recomendada para corrigir a deformidade craniana e permitir crescimento adequado do cérebro.
Quando diagnosticada e tratada precocemente, geralmente não causa prejuízo no desenvolvimento da criança.
A maioria dos casos ocorre de forma isolada, sem histórico familiar. Entretanto, algumas síndromes genéticas podem estar associadas à condição.
Gostou de saber mais sobre o que é escafocefalia, além dos sintomas e tratamentos? Então, se aventure por outros temas do nosso blog. Aproveite!
Texto atualizado por Dr Thiago Rodrigues, Neurocirurgião, PhD, em 09/03/2025