O meningioma é um dos tumores cerebrais mais comuns e se origina das meninges, que são as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Na maioria dos casos, trata-se de um tumor benigno e de crescimento lento, mas dependendo da localização pode provocar sintomas neurológicos importantes.
Muitos meningiomas são descobertos incidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos. No entanto, quando crescem ou comprimem estruturas do sistema nervoso, podem causar sintomas como dor de cabeça, convulsões ou alterações visuais.
Neste artigo você vai entender o que é meningioma, quais são seus sintomas, fatores de risco, formas de diagnóstico e opções de tratamento.
Abaixo veja um vídeo do Dr Thiago Rodrigues, neurocirurgião, falando dos Meningiomas:
O meningioma é um tumor que se origina nas meninges, principalmente nas células da membrana aracnoide.
Esses tumores costumam crescer lentamente e, na maioria das vezes, são benignos. No entanto, mesmo tumores benignos podem causar sintomas importantes ao comprimir o cérebro ou estruturas nervosas próximas.
Os meningiomas geralmente apresentam algumas características típicas:
crescimento lento
limites bem definidos
aderência à dura-máter
captação intensa de contraste nos exames de imagem
A maioria dos pacientes é diagnosticada entre os 40 e 70 anos, sendo mais comum em mulheres.
Veja um exame demonstrativo de um dos tipos de meningioma:

Fonte: Unicamp
Os meningiomas podem surgir em diferentes regiões do cérebro, e a localização influencia diretamente os sintomas e as possibilidades de tratamento.
Entre as localizações mais comuns estão:
Correspondem a cerca de 20% dos meningiomas. Surgem próximos ao seio sagital superior e podem apresentar relação íntima com estruturas venosas importantes.
Representam aproximadamente 15% dos casos e geralmente são mais acessíveis para tratamento cirúrgico.
Localizados próximos ao quiasma óptico, frequentemente se manifestam com alterações visuais progressivas.
Situam-se na base do crânio, na fossa craniana anterior.
Podem crescer por longos períodos antes de causar sintomas, sendo muitas vezes diagnosticados apenas quando já atingiram tamanho considerável.
A grande maioria dos meningiomas é benigna.
De acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), eles são divididos em três graus:
Correspondem à maioria dos casos. Apresentam crescimento lento e baixa taxa de recorrência.
Possuem crescimento mais rápido e maior chance de recidiva após o tratamento.
São tumores malignos, raros, com crescimento agressivo.
Em casos raros, meningiomas malignos podem apresentar metástases para órgãos como pulmões ou ossos.
Sim. Os meningiomas são os tumores primários mais comuns do sistema nervoso central em adultos.
Estudos epidemiológicos mostram que eles representam cerca de um terço de todos os tumores primários do cérebro.
A maioria é benigna e apresenta evolução lenta.
Abaixo uma distribuição dos tumores primários do encéfalo:

FONTE: Achey RL, Gittleman H, Schroer J, Khanna V, Kruchko C, Barnholtz-Sloan JS. Nonmalignant and malignant meningioma incidence and survival in the elderly, 2005-2015, using the Central Brain Tumor Registry of the United States. Neuro Oncol. 2019 Feb 19;21(3):380-391. doi: 10.1093/neuonc/noy162. PMID: 30295804; PMCID: PMC6380426.
Os sintomas dependem principalmente da localização do tumor e do tamanho da lesão.
Os sinais mais comuns incluem:
crises convulsivas
dor de cabeça persistente
alterações visuais
perda de força em membros
alterações cognitivas
dificuldades de equilíbrio
Muitos pacientes também são diagnosticados sem sintomas, após exames de imagem realizados por outros motivos.
| Sintoma | O que pode acontecer |
|---|---|
| Convulsões | Crises epilépticas causadas pela compressão do cérebro |
| Dor de cabeça | Pode ocorrer em tumores maiores |
| Alterações visuais | Especialmente em tumores próximos ao quiasma óptico |
| Fraqueza | Pode ocorrer em tumores próximos ao córtex motor |
Alguns fatores estão associados a maior risco de desenvolvimento da doença.
Entre os principais estão:
Pessoas que receberam radioterapia na cabeça, especialmente durante a infância, apresentam maior risco de desenvolver meningiomas.
A neurofibromatose tipo 2 está associada ao aparecimento de múltiplos meningiomas.
Os meningiomas são cerca de duas a três vezes mais comuns em mulheres, possivelmente devido à influência hormonal.
O diagnóstico geralmente é feito por meio de exames de imagem.
Os principais exames utilizados são:
ressonância magnética do crânio
tomografia computadorizada
A ressonância magnética é o exame mais utilizado, pois permite avaliar melhor a relação do tumor com o cérebro e outras estruturas.
Um achado típico nos exames é a chamada “cauda dural”, uma área de espessamento da dura-máter associada ao tumor.
O tratamento depende de diversos fatores, como tamanho do tumor, localização, sintomas e idade do paciente.
Meningiomas pequenos e assintomáticos podem apenas ser acompanhados com exames de imagem periódicos.
A cirurgia é o tratamento de escolha na maioria dos casos, especialmente quando o tumor provoca sintomas ou apresenta crescimento progressivo.
O objetivo é remover o máximo possível do tumor.
Podem ser indicadas em situações como:
tumores pequenos em regiões profundas
tumores residuais após cirurgia
tumores não operáveis
Mesmo após a remoção completa do tumor, existe risco de recorrência, especialmente em tumores atípicos ou anaplásicos.
Por esse motivo, o acompanhamento com exames de imagem periódicos é fundamental.
Em alguns casos, pode ser necessário tratamento complementar com radioterapia.
Na maioria dos casos, não. A maior parte dos meningiomas é benigna e apresenta crescimento lento.
Sim. Muitos meningiomas podem ser completamente removidos por cirurgia, especialmente quando diagnosticados precocemente.
Mesmo sendo benigno, o meningioma pode causar sintomas importantes dependendo da localização e do tamanho do tumor.
Geralmente cresce lentamente, podendo levar anos para causar sintomas.
O diagnóstico e tratamento são realizados principalmente por neurocirurgiões e neurologistas, dependendo do caso.
Texto atualizado por Dr Thiago Rodrigues, Neurocirurgião, PhD, em 09/03/2026