Fibromialgia tem cura? Conheça os tratamentos!

A fibromialgia é uma condição reumatológica bastante comum no Brasil. Segundo a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), estudos recentes apontam que fibromialgia acomete de 2 a 4% da população mundial. No Brasil, essa porcentagem varia entre 2,5 e 4,4%.

Essa condição reumatológica afeta principalmente mulheres. A Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que, a cada 10 pessoas diagnosticadas com fibromialgia, 7 são mulheres, entre 30 e 60 anos.

Ela também causa dor crônica em diferentes partes do corpo, além de trazer sintomas significativos que afetam tanto o comportamento pessoal quanto a vida social. Quer saber como reconhecer e tratar esses sintomas? Continue sua leitura!

O que é fibromialgia?

A fibromialgia é uma síndrome crônica, caracterizada por sensibilização central da dor, que afeta o sistema nervoso central, causando dor migratória nos músculos e articulações

Mas, afinal, o que isso quer dizer? A fibromialgia pode ser comparada a um “alarme de incêndio” que dispara mesmo sem haver fogo. 

O sistema nervoso do paciente reage como se houvesse dor constante em várias partes do corpo, mesmo sem uma causa visível, como lesões ou inflamações. Além da dor, o corpo fica sempre cansado, como uma bateria que nunca carrega completamente.

Sintomas da fibromialgia

Os principais sintomas da fibromialgia incluem:

  1. Dor generalizada;
  2. Fadiga;
  3. Problemas de sono;
  4. Tontura;
  5. Dores de cabeça;
  6. “Fibro névoa” (dificuldade de concentração);
  7. Rigidez muscular;
  8. Sensibilidade ao toque;
  9. Formigamento nas mãos e pés;
  10. Depressão;
  11. Ansiedade.
Mulher loira de meia-idade massageando o pescoço para aliviar dores da fibromialgia.

Cuide da sua qualidade de vida para melhorar os sintomas da fibromialgia!

O que causa fibromialgia?

A própria Sociedade Brasileira de Reumatologia reconhece que ainda não existe uma causa única conhecida para a fibromialgia. 

O que já está claro é que a dor dos pacientes é real. Com técnicas modernas de imagem, que permitem observar o cérebro em funcionamento, descobriu-se que as pessoas com fibromialgia sentem realmente a dor que relatam, mesmo sem haver lesões visíveis no corpo. 

Como se sente uma pessoa com fibromialgia?

Uma pessoa com fibromialgia pode se sentir constantemente dolorida, como se tivesse passado por um esforço físico intenso, mesmo após uma noite de sono. Ao acordar, é comum que o corpo pareça pesado e rígido, dificultando tarefas simples, como se levantar da cama ou se vestir.

Durante o dia, atividades rotineiras, como subir escadas, carregar sacolas ou até ficar em pé por muito tempo, podem provocar dores intensas nos músculos e articulações. Mesmo gestos pequenos, como apertar um botão ou segurar uma caneta, podem ser dolorosos.

Além da dor física, essa pessoa pode sentir uma fadiga persistente, como se nunca estivesse completamente descansada, mesmo após dormir por várias horas. Pode ter dificuldades para se concentrar, com lapsos de memória, o que é conhecido como “fibro névoa”. 

Isso tudo pode gerar frustração, ansiedade e até isolamento social, pois a dor constante e a falta de energia afetam o convívio com outras pessoas e a capacidade de realizar tarefas diárias.

Quais os fatores de risco da fibromialgia?

Os principais fatores de risco para a fibromialgia incluem ser mulher, já que elas são mais afetadas pela condição, e ter entre 30 e 50 anos. 

O histórico familiar da doença pode resultar em um diagnóstico da mesma, mas a fibromialgia pode surgir após eventos traumáticos, como um acidente, estresse psicológico intenso ou até uma infecção grave. 

Infecções, tanto virais quanto bacterianas, podem atuar como gatilhos. Outras condições de saúde, especialmente doenças reumatológicas como artrite reumatoide e lúpus, elevam o risco

Por fim, distúrbios crônicos do sono contribuem para o desenvolvimento e agravamento dos sintomas da fibromialgia. Atenção, se você possui algum fator de risco e

Quais são os 18 pontos de dor da fibromialgia

 O Colégio Americano de Reumatologia criou o conceito dos 18 pontos de dor da fibromialgia, servindo como um guia para entender mais sobre o local da dor, confira: 

  • Mandíbula Direita
  • Mandíbula Esquerda
  • Cervical
  • Dorso
  • Ombro Direita
  • Ombro Esquerda
  • Braço Direita
  • Braço Esquerda
  • Antebraço Direita
  • Antebraço Esquerda
  • Abdome
  • Lombar
  • Quadril Direita
  • Quadril Esquerda
  • Perna Direita
  • Perna Esquerda
  • Coxa Direita
  • Coxa Esquerda

Veja, de forma mais visual, os pontos de dores da fibromialgia:

Desenho vetorizado em computador com as visões de uma mulher de frente e de costas. Os 18 principais pontos de dores da fibromialgia estão marcados com círculos vermelhos.

Imagem ilustrativa dos 18 principais pontos de dores da fibromialgia. Fonte: Tua Saúde.

Os pontos mencionados acima podem variar conforme o quadro. Não espere obter todos os alardes, busque ajuda!

Diagnóstico da fibromialgia

O diagnóstico da fibromialgia é baseado no histórico do paciente e no exame físico. Os exames são realizados para exclusão de outros quadros de saúde semelhantes ou sugestivos.

O histórico de dor crônica generalizada, associado à fadiga e sono não reparador, é um forte indicativo de fibromialgia. Sintomas como síndrome do intestino irritável e/ou bexiga irritável, além de dor persistente por mais de três meses em várias partes do corpo, reforçam essa suspeita. 

No exame físico, a identificação de pontos dolorosos à palpação, conhecidos como tender points, é fundamental para o diagnóstico. Segundo o Colégio Americano de Reumatologia, a presença de dor em 11 dos 18 pontos padronizados é um critério importante para confirmar a condição.

Fibromialgia aparece nos exames

A fibromialgia não possui um exame específico capaz de confirmar o diagnóstico. Diferentemente de outras doenças reumatológicas, como artrite reumatoide ou lúpus, geralmente não existem alterações evidentes em exames laboratoriais ou de imagem.

Por esse motivo, o diagnóstico da fibromialgia é considerado clínico, ou seja, baseado principalmente na avaliação médica, nos sintomas relatados pelo paciente e no exame físico.

Mesmo assim, alguns exames podem ser solicitados para excluir outras doenças que causam sintomas semelhantes, como dor muscular, fadiga ou alterações do sono.

Entre os exames que podem ser solicitados estão:

  • Hemograma completo

  • Dosagem de hormônios da tireoide (TSH e T4)

  • Dosagem de vitamina D

  • Marcadores inflamatórios

  • Fator reumatoide ou outros exames reumatológicos

Em alguns casos, exames de imagem ou outros testes podem ser utilizados para investigar diagnósticos alternativos. Quando esses exames são normais e o quadro clínico é compatível, o diagnóstico de fibromialgia torna-se mais provável.

 

Tratamento para fibromialgia

Ao contrário do que muitos pensam, a fibromialgia tem um tratamento multidisciplinar bastante efetivo. Veja algumas opções:

1. Rotina de atividades físicas específicas

A prática regular de atividade física aeróbica se destaca como um dos pilares fundamentais no tratamento da fibromialgia. Exercícios aeróbicos, como caminhadas, natação ou ciclismo, ajudam a melhorar a condição cardiovascular, aumentar a resistência física e aliviar a dor crônica. 

Além disso, a atividade física contribui para a redução da fadiga, melhora a qualidade do sono e estimula a liberação de endorfinas, que são neurotransmissores naturais que promovem a sensação de bem-estar. 

O exercício também auxilia no controle do estresse e na melhora do humor, fatores diretamente relacionados aos sintomas da fibromialgia.

Mulher negra de costas, com as mãos no pescoço. O pescoço está destacado em vermelho, indicando um local de dor. A mulher veste roupas de academia, representando a importância dos exercícios para fibromialgia.

Os exercícios físicos são fortes aliados no tratamento da fibromialgia!

2. Uso de medicamentos 

O uso de remédios prescritos por um neurocirurgião após o diagnóstico são também importantes no tratamento dos sintomas.

Nas prescrições, podem ser indicados pregabalina e a duloxetina para a sensibilidade à dor, relaxantes musculares, antidepressivos e analgésicos, no entanto, eles desempenham um papel mais coadjuvante aos demais tratamentos. 

Atenção: não se automedique. Esta ação poderá mascarar os sintomas, atrasando e/ou dificultando o verdadeiro diagnóstico e, consequentemente, o tratamento ideal. 

3. Acompanhamento psicológico 

O acompanhamento psicológico é fundamental para pessoas com fibromialgia, pois ajuda a lidar com os desafios emocionais e psicológicos que acompanham a dor crônica. 

Um psicólogo pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias para enfrentar esses desafios, melhorar o bem-estar emocional e fortalecer a resiliência do paciente. A terapia ajuda a reduzir o impacto da fibromialgia na vida social e profissional, promovendo uma melhor qualidade de vida e adesão ao tratamento médico.

4. Fisioterapia 

A fisioterapia é uma excelente aliada no tratamento da fibromialgia, pois ajuda a melhorar a mobilidade, reduzir a dor e fortalecer os músculos de forma segura. 

Por meio de exercícios personalizados e técnicas específicas, o fisioterapeuta ensina ao paciente como realizar atividades cotidianas sem sobrecarregar o corpo. 

Ela também alivia a rigidez muscular e aumenta a flexibilidade, fatores importantes para minimizar os sintomas. O trabalho fisioterapêutico pode promover a reeducação postural e melhorar o condicionamento físico geral, contribuindo para uma qualidade de vida melhor e maior independência nas atividades do dia a dia.

5. Alimentação

A alimentação também afeta e pode piorar ou melhorar os sintomas da fibromialgia. Uma dieta equilibrada pode ajudar a reduzir a inflamação e melhorar o bem-estar geral. Alguns alimentos são recomendados, enquanto outros devem ser evitados.

Alimentos que podem ser consumidos:

  • Frutas e vegetais frescos: ricos em antioxidantes, ajudam a combater a inflamação. Exemplos incluem frutas vermelhas, espinafre e brócolis;
  • Peixes ricos em ômega-3: como salmão e sardinha, que possuem propriedades anti-inflamatórias;
  • Grãos integrais: como quinoa, aveia e arroz integral, que oferecem fibras e nutrientes essenciais;
  • Nozes e sementes: como amêndoas e linhaça, que também fornecem gorduras saudáveis e antioxidantes;
  • Leguminosas: feijões, lentilhas e grão-de-bico são ótimas fontes de proteína e fibras;
  • Chá-verde: rico em compostos anti-inflamatórios.

Alimentos inflamatórios a serem evitados:

  • Açúcar refinado: encontrado em doces, refrigerantes e alimentos processados, pode aumentar a inflamação.
  • Gorduras trans e saturadas: presentes em alimentos fritos, fast food e carnes processadas, que contribuem para a inflamação.
  • Glúten: para algumas pessoas, o glúten (encontrado em trigo, cevada e centeio) pode exacerbar os sintomas.
  • Laticínios: em alguns casos, os produtos lácteos podem aumentar a inflamação.
  • Cafeína e álcool: podem desencadear sintomas de dor e fadiga em algumas pessoas.

Manter uma dieta equilibrada, rica em alimentos anti-inflamatórios, e evitar os que promovem inflamação pode ajudar no controle dos sintomas da fibromialgia, proporcionando mais qualidade de vida.

Fibromialgia tem cura?

Embora a fibromialgia não tenha cura, o tratamento melhora a qualidade de vida do paciente, aliviando os sintomas e reduzindo a frequência das crises. 

A fibromialgia, por si só, não causa deformidades ou sequelas nas articulações e músculos. Com o tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, é possível conviver de forma saudável com a síndrome, mantendo o bem-estar e reduzindo o impacto dos sintomas no dia a dia.

Perguntas frequentes sobre fibromialgia

Fibromialgia tem cura?

Atualmente, a fibromialgia não possui cura definitiva. No entanto, existem diversos tratamentos capazes de reduzir significativamente os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Com acompanhamento médico adequado, atividade física regular e outras abordagens terapêuticas, muitas pessoas conseguem controlar bem a doença.


Fibromialgia aparece em exames?

Não existe um exame específico capaz de confirmar o diagnóstico de fibromialgia. O diagnóstico é feito principalmente com base nos sintomas relatados pelo paciente e no exame clínico realizado pelo médico. Exames laboratoriais e de imagem podem ser solicitados para excluir outras doenças que causam sintomas semelhantes.


Fibromialgia é uma doença inflamatória?

A fibromialgia não é considerada uma doença inflamatória clássica. Diferentemente de condições como artrite reumatoide ou lúpus, geralmente não há inflamação detectável nas articulações ou músculos. Acredita-se que o problema esteja relacionado a alterações na forma como o sistema nervoso central processa a dor.


Fibromialgia pode piorar com estresse?

Sim. O estresse emocional é um dos fatores que podem agravar os sintomas da fibromialgia. Situações de tensão psicológica, ansiedade e privação de sono podem aumentar a percepção da dor e piorar a fadiga.


Fibromialgia é perigosa?

Apesar de causar grande impacto na qualidade de vida, a fibromialgia não é considerada uma doença perigosa nem provoca deformidades nas articulações ou músculos. O principal problema é a dor crônica e a fadiga, que podem interferir nas atividades diárias.


Fibromialgia causa formigamento?

Alguns pacientes com fibromialgia relatam sensação de formigamento, dormência ou sensibilidade aumentada em determinadas regiões do corpo. Esses sintomas estão relacionados à forma como o sistema nervoso processa os estímulos de dor.


Qual médico trata fibromialgia?

A fibromialgia costuma ser acompanhada principalmente por médicos reumatologistas. Dependendo do caso, outros especialistas também podem participar do tratamento, como neurologistas, psiquiatras, fisioterapeutas e psicólogos.


Exercício físico ajuda na fibromialgia?

Sim. A atividade física regular é considerada uma das estratégias mais eficazes no tratamento da fibromialgia. Exercícios aeróbicos leves a moderados, como caminhadas, natação ou ciclismo, ajudam a reduzir a dor, melhorar o sono e diminuir a fadiga.

 

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Texto atualizado por Dr Thiago Rodrigues, PhD, em 09/03/2026.